
Dessa vez não me disfarçarei com a arte. Hoje não vim pela arte, pela literatura, pela liberdade... Mas pela dor. Pela matéria-prima que tanto moldei, e que hoje me molda. Farei algo não costumeiro, que inclusive não se passava em minha mente: Desnudar-me. Meu sorriso mentiroso não toma anti-depressivos, apenas minha face amarga, aquela que anda taciturna pelas ruas da cidade.
Mas como diria Clarice "eu já sei matemática". Embora o meu atual um mais um não faz tocar o telefone, já não me faz mais ser preciso.
Não sei onde foi, mas no meio desse tempo eu perdi a graça, acumulei erros e descobri que não sou mais "tão legal"... Pensei em escrever um poema, coisas como diz Filipe Catto "Se eu soubesse que o amor é coisa aguda / Que tão brutal percorre início, meio e fim / Destrincha a alma, corta fundo na espinha / Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir", "Se eu soubesse que o amor é coisa assim / Não pegava, não bebia, não deixava embebedar"...
Não! Dessa vez minhas palavras não serão da arte, serão matéria-prima de alguma coisa que me tornarei. Feito bisturis vão cortando cada parte da minha alma, dissecada, jogada num necrotério... Ao silêncio, àquele silêncio antes da palavra. Para que eu não me destrua, não tente anular um ato meu com outro ato meu, feito mecanismo de defesa. O silêncio para que nenhuma palavra me abale, ou faça com que meus muros desabem.
Eu já estava sem armas. Eu já estava entregue aquela coisa tão bonita, chega a ter tanta beleza que dói. E o amor, mais uma vez, não me veio leve, mas um massacre. Pouca coisa sei sobre ele, mas deveras tenho pouco a pouco percebido suas facetas. E é verdade que em meu peito a dor do amor estava adormecida há anos, mas agora dói que meu corpo treme feito bebê no escuro desconhecido. É essa coisa que dizem ser amor, eu chamo de abismo. Estou caindo...
Marcos P. S. Caetano
Fortaleza - CE, 29 de setembro de 2011
20h 15min
Mas como diria Clarice "eu já sei matemática". Embora o meu atual um mais um não faz tocar o telefone, já não me faz mais ser preciso.
Não sei onde foi, mas no meio desse tempo eu perdi a graça, acumulei erros e descobri que não sou mais "tão legal"... Pensei em escrever um poema, coisas como diz Filipe Catto "Se eu soubesse que o amor é coisa aguda / Que tão brutal percorre início, meio e fim / Destrincha a alma, corta fundo na espinha / Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir", "Se eu soubesse que o amor é coisa assim / Não pegava, não bebia, não deixava embebedar"...
Não! Dessa vez minhas palavras não serão da arte, serão matéria-prima de alguma coisa que me tornarei. Feito bisturis vão cortando cada parte da minha alma, dissecada, jogada num necrotério... Ao silêncio, àquele silêncio antes da palavra. Para que eu não me destrua, não tente anular um ato meu com outro ato meu, feito mecanismo de defesa. O silêncio para que nenhuma palavra me abale, ou faça com que meus muros desabem.
Eu já estava sem armas. Eu já estava entregue aquela coisa tão bonita, chega a ter tanta beleza que dói. E o amor, mais uma vez, não me veio leve, mas um massacre. Pouca coisa sei sobre ele, mas deveras tenho pouco a pouco percebido suas facetas. E é verdade que em meu peito a dor do amor estava adormecida há anos, mas agora dói que meu corpo treme feito bebê no escuro desconhecido. É essa coisa que dizem ser amor, eu chamo de abismo. Estou caindo...
Marcos P. S. Caetano
Fortaleza - CE, 29 de setembro de 2011
20h 15min
Dizem que amar pode esmagar tanto a alma que muitas pessoas passam a vida à margem... na sombra desse sentimento, temendo que isso domine suas vidas e os levem por caminhos tortuosos onde se percam tanto de si mesmos... Que jamais se recordarão de qume foram um dia.. Mas uma vez uma pessoa realmente sábia me disse algo que pode ser clichê, mas que vislumbrei em seus cansados olhos ser plenamente verdade...
ResponderExcluir"Melhor arrepender-se de ter vivido intensamente, trazendo em si a marca e o sabor dos erros e de um sentimento tão intenso e forte... Do que arrepender-se por toda uma vida... por não saber como teria sido e como jamais será..."
Então mesmo que o abismo seja longo, escuro e profundo... E que se esborrache no momento que cair no chão... Ainda assim... pelo menos terá a certeza de que viveu algo real... E não... uma idéia meramente abstrata do que poderia ter sido e jamais será...
Beijos (Des)conexos!
Massa! E essa tua dor é arte, sim! ´timas citações... Espero que vc não suma! E desejo amores tão loucos que deixe o peito rouco!
ResponderExcluirAfete-se!
Desassossego é o nome do amor.
ResponderExcluirGostei do texto.
Macho, muda o endereço do meu blog para http://acidezeto.blogspot.com Valeu!
ResponderExcluirSaudade morta rsrs fazia tempo que não te lia!
ResponderExcluirOlá, parabéns pelo seu blog.
ResponderExcluirTe convido a conhecer o meu,
http://carmasepalavras.blogspot.com/
;)