Nosce te Ipsum

"Um quadro só vive para quem o olha" - Pablo Picasso

(Nosce te Ipsum)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Somos Uma Espera



SOMOS UMA ESPERA

Caindo pelas grades da minha infância

Com amigos de minha mesma face

Corro junto-sozinho

Aos tropeços na tentativa de ser alguém

Arranhando-me pelas matas da estrada

Vejo meus Nietzsches e Sartres chorarem

Levanto-me de joelhos ralados

Sem ter muito tempo

De me preocupar com qualquer autopsicografia

Pois o único fingimento é tentar ser eu mesmo

E no fim da brincadeira de ser gente

Não posso nem ser barata

Mas tenho de ter a casca grossa

Pra não ser esmagado por qualquer Kafka

Não adianta brincar de criar cidade

Quando os homens maus são os reis

E os bonzinhos não têm estudo para serem heróis

E dizer que parecer justo

E ser na verdade injusto

Nem parece uma maiêutica socrática

E então, quando eu estiver bem positivo

Talvez alguém me Comte

Que o lado negativo disso tudo

É que meu nariz apontará

Para meu objetivo

Como um Sêneca feliz ou Clarice chorosa

Apontam para o fim da brincadeira

Onde Freud explica que a curiosidade de Einstein

É a espera do nada.


(Por Marcos P. S. Caetano)




P.S.: Peço desculpas, a todos os que desde o início me acompanham nessa jornada da escrita, devido a minha ausência indiscriminada. Porém, para felicidade, e pesadelo, de uns ou outros, retorno ao blog para continuar acariciando a existência com uma possível arte.

Um abraço a todos, e será gratificante revê-los.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Daniel Riva e os Exércitos de Escarro




"Daniel Riva e os Exércitos de Escarro"





Oh, baby, it's cryin' time, oh, baby, I've got to fly

Enquanto aquele careca sentava-se a minha frente, assim cantavam os quatro adolescentes que também se aconchegavam numa mesinha próxima. Pareciam daqueles que têm o sonho de formar bandas de rock, e dois com baquetas de bateria, além da letra de Four Sticks na camisa de um deles, ainda com John Bonham como estampa. Eram quatro baquetas e o Led Zeppelin martelando a bateria do meu pensamento. Um deles seguia como se fosse Plant misturado ao MP4 que escutavam.

Got to try to find a way, got to try to get away

Eu tinha mesmo de achar um caminho. Ele não tinha cabelo, mas se tivesse já deveriam ser grisalhos, não sei como conseguia manter um bom aspecto físico fumando tanto, André deveria ter pra lá dos seus quarenta anos. Quase cinqüenta? Talvez tivesse idade para ser meu pai.

- Não pensei que fosse entrar em contato comigo, jovem. Então, o que quer?

A sem-cerimônia de certo me surpreendeu principalmente de alguém como ele, mas depois das últimas barbaridades que ouvi, já deveria ter me acostumado a não me surpreender.

'cause you know, I gotta get away from you, babe

- Você me deu seu cartão, disse que eu poderia entrar em contato. – Eu quase disse como a música.

- É a mulher, não é?

Oh, baby, the river's red, aw, baby, in my head

There's a funny feeling goin' on

I don't think I can hold out long

- Sim, é ela. Depois do que você me falou, fiquei pensando. Tentei algo com ela, mas não foi o que eu pensava.

Ele ainda gargalhou quando eu disse aquilo, pediu tequila, não entendi, estávamos numa cafeteria, mas ele pediu tequila. Nem prestei atenção no garçom, a gargalhada dele me prendeu no escuro daquela garganta, eu pude me transportar para as cordas vocais e vibrar como elas.

- Logo imaginei. Mas ao menos você fez alguma coisa. Eu lhe falei, só assim mesmo. Porém, você continua sem conhecê-la. É ridículo o modo como você a trata, e também como me falou que aquele idiota do namorado o faz. Santa? Só se for do pau oco.

- Ei! Não fale assim! Respeite-a, e a mim também. Não acredito nessas coisas que você disse! Eu a conheço muito bem, somos amigos de infância!

Gargalhou novamente, e bebeu um pouco da tequila, nem me atentei quando o copo chegou, mas estava descendo pela garganta após a gargalhada.

- Olhe para você! Um tolo! Parece um daqueles idiotas de séculos atrás! Isso que tem entre as pernas é um pau ou o quê? Já sabe usar, não sabe? Quando você esfregar essa coisa inútil na cara dela vai entender todos os traumas da infância dela! Aí sim você vai conhecê-la! Eu em uma noite conheceria mais que você! Gostos e trejeitos são nada. Ela não deve passar de uma vagabunda! E tem cara de quem gosta!

Meus olhos estavam mais arregalados que a lua cheia, já era noite e os meus pensamentos seguiram o ritmo, escurecendo. Fiquei atônito, não sabia o que dizer perante aquela coisa repugnante que ele disse. Eu nunca havia imaginado qualquer coisa do gênero, mas as corujas piaram e o rio secou.

And when the owls cry in the night

Oh, baby, baby, when the pines begin to cry

Baby, baby, baby, how do you feel

If the rivers run dry, baby, how would you feel

- Daniel! Você parece um garoto mimado do papai, porque não vai procurá-lo? Ou a mamãe!

- Não tenho pai. Nem mãe.

Silêncio.

Não houve risada. O tom mudou.

- Mais uma tequila para mim, e um café para o jovem.

- Sim, um café.

Olhamo-nos por uns instantes, e neles havia mais palavras que as ditas desde que nos conhecemos, por um momento eu pude escutar a batida do coração dele. Ou seria Four Sticks?

Craze, baby, mm, the rainbow's end

Hoo, baby, it's just a den for those who hide

a-hide their loves to depths of lies

and ruined dreams that we all knew so, babe

- Não é só isso, eu sei. O que mais lhe aflige Daniel?

- Eu a beijei. Ela disse ‘eu não te amo’, fiquei pensando nisso. Agora pouco falei com ele, você sabe... E ele desconfia que ela esteja o traindo. Pediu para que eu observasse, tentasse saber alguma coisa sobre.

- “Eu não te amo”... O que você sabe sobre o que você sente Daniel? E você confia mesmo nela? Se o próprio namorado desconfia...

- Sim! Confio. Ela não faria isso, uma prova é que ela me disse ‘eu não te amo’...

A outra pergunta... Eu não consegui responder, lembrei-me de Novalis quando dizia que o mistério aponta para dentro. Creio que a pior coisa que poderia lembrar, afinal, romantismo.

- Daniel, se as pessoas fossem confiáveis os exércitos eram treinados para a paz, e não para a guerra. É tudo questão de relações de interesses de poder sobre os instintos primitivos de cada um, o controle da massa em idéias é somatório.

And when the owls cry in the night

And, baby, when the pines begin to cry

Oh, baby, baby, how do you feel

If the rivers run dry, baby, how will you feel

Estava ofegante, não sabia o que dizer. Era como se as minhas esperanças, os meus pensamentos, os meus sonhos, as minhas expectativas, tudo fosse nada. A minha única chance de me completar, de não ser seco, fosse nada. Deus! Meu Deus! Eu pedi ajuda, mesmo mudo.

- Daniel, ninguém completa ninguém. Vejo isso nos seus olhos.

A tequila desceu mais um pouco. André ainda tirou algo da jaqueta, sem que eu pudesse responder qualquer coisa.

- Conhece este lugar?

- Não. – era bonito, mas não conhecia. Até virar e perceber que era um cartão postal. Grécia.

- Deve conhecer isto, não?

E me mostrou um bolo de dinheiro, tirou também da jaqueta. Não reconheci a primeira vista, porém...

- Isso são euros!

- Sim, doze mil. Imagino que está totalmente sem dinheiro. Sem trabalho. Você vai conhecer Atenas. Esse dinheiro vai lhe ajudar no necessário lá. Envio a passagem para seu endereço dentro de uma semana, e nesse mesmo período você parte. Sabe falar grego, não sabe?

- Do que está falando? Está louco? Que tipo de gente anda com doze mil euros no bolso da jaqueta?

- O que você sabe sobre o que você sente Daniel?

Não consegui falar mais nada, nem negar. Eu queria ser mais que um Rio, naquele instante eu quis ser uma Jóia do Mar.

Ah-ahh, ah-ah-ahh-ay

Ahh-ahh-ahh, ah-ah, ah-ah

Ahh-ah-ah-ahh, ah-ah, ah-ah, ah

Baby, how do you feel?

- Daniel. Sabe para onde correm os rios? Sabe o que eles se tornam? Está na minha hora. Tenho de ir.

Oh, yeah, brave I endure

Woo, yeah, strong shields and lore

N-they can't hold the wrath of those who walk

in the boots of those who march

baby, through the roads of time so long ago

Ele partiu. Eu também parti, mas ainda sentado. Só com alguns minutos percebi que os jovens também haviam ido embora. Eu fiquei, olhei para a mesa. André havia esquecido a carteira. Não consegui me levantar para casa. Ainda passei um tempo ali, sentado, pensando. A curiosidade me atropelou e eu olhei a carteira, nada além de poucos cartões, e um papel amassado, com uns versos escritos:



“Soneto Cigano”



Não sei quantos necessários oceanos

Que m’inundam e quantos se esvairão

Para matar meu vivo coração

Qu’afunda como nauta dos enganos


Sigo no mundo das trilhas a mão

Dos vales e desertos sou cigano

Se calo há algo que segue falando

Que dores tentam, mas não calarão


Em meus dedos se conservam anéis

Circundam-se caminhos nos meus brincos

Cantam as minhas ilusões cruéis


Pelos meus sonhos de que tanto brinco

O pranto oceânico que me deságua:

São fados: beijos, dor, solidão e mágoa.


Nunca me passou pela cabeça que André Berilo escrevesse coisas do gênero, quiçá poemas. Era o nome dele ao final. E então pensei o quanto humano ele é. Pela primeira vez na minha vida, eu senti que havia, realmente, conversado com alguém...

Voltei para casa, não bebi vodka, nem tequila como Berilo, dessa vez só café.

A noite dormiu, a cafeteria fechou, e jazia na mesa de Daniel Riva três copos de café e poucos guardanapos.


(Por Marcos P. S. Caetano)

Fortaleza, 01h23 de 20 de Dezembro de 2010.


Série Daniel Riva:

Arma de Caça na Cabeça de Daniel Riva

Daniel Riva na Promoção da Semana


A Cara Valente de Daniel Riva

Daniel, Cada um é seu próprio escarro


Please, Daniel, isso é um bom conselho

Daniel Riva entre a Traição e a Esperança




Pintura:
Edvard Munch. Vampiro, de 1897, óleo sobre tela.



Palavra da Vez:

confiança
s. f.
1. Coragem proveniente da convicção no próprio valor.
2. Fé que se deposita em alguém.
3. Esperança firme.
4. Atrevimento.
5. Insolência.
6. Familiaridade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Daniel Riva entre a Traição e a Esperança


"Daniel Riva entre a Traição e a Esperança"

Sempre gostei de tardes nubladas. E essa me parecia das melhores. Não sei, mas o castanho das árvores me parece tão mais bonito nessas tardes, feito cabelos úmidos, ou olhos emotivos. Enfim... O silêncio daquela cafeteria ao ar livre começava a conversar com o som de um radinho de pilha duas mesas depois da minha:

Como todos cantaram, eu também não poderia deixar de cantar. Lá menor! Serra da Boa Esperança.

Violão, cavaquinho, pandeiro e flauta começam a cantar.

Grande Lamartine Babo, um dos sambas mais bonitos da música popular brasileira.

Ainda pude ver um casal de cabelos branquinhos de amor numa mesinha próxima, ambos suspiraram e de um deles ouvi: “Ótimo na voz do Altemar Dutra”, definitivamente eu não era o único que prestava atenção naquele velinho que segurava o radinho de pilha, com suas mãos trêmulas de certeza, seus olhos de angústia escondidos por óculos-escuro de luto pela vida, suas rugas de desgraças, sua boina de nostalgia em cima da mesa cinza de complacência, suas roupas mortas no tempo de décadas atrás, seus poucos fios de cabelo de instantes de felicidade, todos caducos como a boa esperança. Tinha cara de quem era de Minas, será que aquele velhinho esguio e franzino era da Serra da Boa Esperança?

Serra da Boa Esperança

Esperança que encerra...

No coração do Brasil

Um punhado de terra

No coração de quem vai. . .

No coração de quem vem

Serra da Boa Esperança

Meu último bem

Por um momento tive medo de a esperança ser meu último bem...

- Daniel, tá tudo bem?

Só depois percebi quantas vezes fui perguntado disso, não entendia o motivo de perguntar incessantemente. Ele estava ali, na minha frente. Eu não conseguia reconhecê-lo, a imagem dele parecia perdida no tempo em que éramos meninos e jogávamos bola no meio da rua de paralelepípedo. Sentia saudades daquele tempo, meu amigo, mas estávamos perdidos um do outro. Estávamos ali, para o café que ele havia convidado. Em verdade, para o que ele queria falar...

Parto levando saudades

Saudades deixando

Murchas, caídas na serra

Lá perto de Deus

- Estou angustiado, Daniel, não sei o que faço...

Não me lembro bem do que ele falou antes de chegar à frase de agonia, deve ter falado sobre como é bom me ver, o que eu não poderia dizer o mesmo. Não conseguia entender quando foi que eu parei de enxergar aquele meu amigo de pele morena do sol, cabelos curtos e castanhos claro, olhos negros, boca fina e nariz agudo; não sei, ele parou com menos de um metro e meio na minha memória. Eu amava aquele menino, hoje não consigo reconhecê-lo.

Levo na minha cantiga

A imagem da serra

Sei que Jesus não castiga

Um poeta que erra. . .

Nós os poetas erramos

Porque rimamos também

Os nossos olhos

Nos olhos de alguém

Que não vem...

Os nossos versos eram brancos, a nossa rima falha. Os seus gestos eram de pura agonia, transtorno; e eu não acreditava como ele ainda confiava tanto em mim, amava-me? Ainda? Como pode o amor morrer só de um lado? O amor não é uma avenida de mão dupla?

- Acho que ela está me traindo, Daniel...

Os olhos dele estavam vermelhos e lacrimosos feitos os sentimentos dentro de mim. Não conseguia entender que ele me falava aquilo, precisei ouvir mais vezes que as vezes que ele me perguntou se eu estava bem...

- Acho que ela está me traindo, Daniel... Preciso de sua ajuda... A santa... Pode me ajudar? Tentar saber? Falar com ela? Sondar?

Olhei para os lados como quem procura solução, salvação, e só encontra descrença, surpresa e desesperança no meio do amor de dois velhinhos na Serra da Boa Esperança. Não! Ele veio pedir aquilo pra mim! Justo depois do beijo! Mas não poderia ser comigo, não... Mas... Não acreditava que ela poderia fazer isso, deveria ser coisa da cabeça dele. E só então consegui reagir...

- Obrigado, Dani. Sempre soube o quanto somos amigos, sempre soube que sempre poderia contar com você, em qualquer situação... Foram ótimas essas horas, esse café. Preciso ir, está na minha hora. E isso é pra lhe ajudar, não se esqueça disso... Procure ajuda meu amigo, não pode ficar assim...

Ignorei muito do que ele falou, assim como sua imagem que se anuviava pela esquina naquela tarde nublada, tudo pela idéia da traição entre eles. Eu não sabia se choveria ou se o Sol apareceria. No entanto, eu me reconfortei de como o castanho das árvores era bonito. Não tive muito problema em aceitar a esperança dentro de mim, a que talvez ela não o amasse... Como eu poderia?! Não poderia deixar a felicidade nascer em mim pela desgraça deles... Mas se ela o traísse... E eles se separassem... Não! Ah! Melhor eu mudar meus pensamentos, depois penso sobre isso... O “eu não te amo” dela ainda me martela, espero que André chegue logo. Ao menos ajustarei tudo no mesmo dia, marquei com os dois e espero que as duas conversas dêem certo; uma já deu.

Serra da Boa Esperança

Não tenhas receio

Hei de guardar tua imagem

Com a graça de Deus

Ó minha serra eis a hora

Do adeus vou-me embora...

Deixo a luz do olhar

No teu luar

Adeus. . .

Para onde foi o velhinho da serra da boa esperança? Só senti o vulto das últimas notas. Ah, até o casal branquinho já se vai. Como são bonitos. Será que o cabelo deles era castanho? Hei de um dia deixar o castanho da paixão virar o branco do amor e ter com meu amor um dia de boa esperança. Ah, eu também disse adeus...

E virando a esquina vinha André Berilo, vamos tomar café e conversar.

Antes que ele chegasse ainda vi ao longe o velhinho, notei que tinha uma muleta e pedia ajuda para atravessar a rua, deveria ser cego. Voltava com sua cegueira de saudade para a esperança.

André sentou, e começamos a conversa...


(Por Marcos P. S. Caetano)

Fortaleza, 01h38 de 11 de Dezembro de 2010.



Série Daniel Riva:


Arma de Caça na Cabeça de Daniel Riva

Daniel Riva na Promoção da Semana

A Cara Valente de Daniel Riva

Daniel, cada um é seu próprio escarro

Please, Daniel, isso é um bom conselho





Pintura: Óleo sobre tela. Sem Título de Roberto Burle Marx, De 1987.








Palavra da vez:

traição
s. f.
1. Acto!Ato ou efeito de trair.
2. Perfídia.
3. Entrega aleivosa.
4. Quebra aleivosa da fé prometida e empenhada.
5. Infidelidade conjugal.
6. Emboscada desleal; surpresa vil.
à traição: traiçoeiramente, aleivosamente.
Pelas costas, à falsa fé.

trair (a-í)
(latim trado, -ere)
v. tr.
1. Enganar com traição. = atraiçoar, falsear
2. Revelar informação que era secreta. = delatar, denunciar
3. Deixar perceber. = revelar
4. Não cumprir promessa, compromisso ou princípio.
5. Ser infiel a.
v. pron.
6. Revelar (o que se desejaria ocultar). = descobrir-se

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Soneto dos beijos que te dei, e dos que não te dei



"Soneto dos beijos que te dei, e dos que não te dei"



Se vens com olhos teus e m'alimentas
De palavras secretas, esquecidas,
Quebras minhas arestas, tu sabias:
Aclara céus e se acabam tormentas.

E se teus olhos de mim desvias
Com intuito de não te atormentares:
Enganas-te, qu'aind'assim te roubo ares,
Pois vestes do silêncio a fantasia.

Não há mais bela roupa entre os olhares,
Nem maior fruição qu'a deles se despir:
Dentro da nudez dos nossos pesares

É desnudar dos mortos o carpir;
Deixa o não-dizer beijar o que digo
E não deixas os meus beijos contigo.


(Por Marcos P. S. Caetano)


Fortaleza, 05h18 de 8 de Dezembro de 2010.


Pintura: No Dia Seguinte, Edvard Munch. Óleo sobre tela. 1894/1895.


Palavra da Vez:

tormenta
s. f.
1. Grande tempestade.
2. Fig. Agitação violenta; tumulto.

fruição (u-i)
s. f.
1. Acto!Ato ou efeito de fruir.
2. Posse.
3. Gozo.

fruir (u-í)
(latim *fruere, de fruor, frui, ter o gozo de, usufruir, conviver)
v. tr. e intr.
1. Estar no gozo ou na posse de.
2. Desfrutar; gozar.


carpir
(latim carpo, -ere, colher, arrancar, separar)
v. tr.
1. Prantear, chorar.
2. Mondar.
3. Colher, arrancar.
v. intr.
4. Chorar.
v. pron.
5. Lamentar-se.
6. Arrancar-se os cabelos (em sinal de dor).
7. Bras. Tratar e desmoitar (uma roça).